É engraçado como eu vejo certos vídeos sobre a história dos videogames. Mostram a ascensão e a decadência, tanto de consoles muito antigos como dos fliperamas nos idos da década de 1990. Lamentavelmente muitas lojas já fecharam ou são pouquíssimas as que conseguiram sobreviver e ainda têm muita força para aguentar essa crise que parece ser inevitável.
1. O sucesso
Os fliperamas, como eu já disse em diversos posts anteriores, eram encontrados em qualquer esquina de qualquer lugar. Toda cidade tinha e um dos fatores do sucesso era a variedade e a popularidade das máquinas. A ficha era barata, o público era muito grande e eu poderia até dizer que havia muita cultura em torno do fliperama que rendia ótimas conversas, interações, histórias e bons debates sobre os jogos.
2. Anos 1990 e as locadoras
À medida que o tempo foi passando e novos jogos foram surgindo, outros mais antigos iam desaparecendo sem deixar rastro. Lembro-me que em 1992 já era difícil encontrar jogos da primeira metade da década de 1980.
 |
Um dos gabinetes mais antigos e históricos que já existiu. Tinha até cinzeiro nele. Joguei em muitos desses por volta de 1986 a 1990. |
Os gabinetes eram mais bonitos e sempre com dois controles e seis botões. Jogos de luta se tornaram muito populares e o interesse por esse tipo aumtentou muito, mas eu não fiquei triste por isso. Eu estava me modernizando e andando na "moda" naqueles tempos. Ainda era possível encontrar bares de esquina com fliperama e com um pouco de sorte, com pinballs. Surgiram as locadoras de videogame e muita gente que não tinha condição de ter um console em casa, pagava barato para jogar por horas nessas lojas. A difusão foi muito rápida e logo muitas pessoas perderam o interesse por fliperamas.
 |
Locadora de videogames. Atraía crianças, adolescentes e outros gamemaníacos.
Fonte: http://www.vibeflog.com/nenamenezes/p/7702901 |
Quem investiu em locadoras de cartuchos e videogames ganhou uma grana boa. Eu e alguns amigos chegamos a jogar DENTRO DA CASA DE UM CASAL, mais precisamente na garagem. Virou esculhambação! Hahaha. O povo comprava tv, videogame, os cartuchos mais jogados e fim de papo. Ganhavam grana e não faltava gente quem pagasse para jogar.
 |
Reparem nas fichas que eram usadas para jogar fliperama. A ficha que eu usava está marcada em vermelho. HAVAI. Quantas saudades disso! |
E o fliperama foi sendo esquecido, embora houvesse quem ainda preferisse os arcades e os jogadores que sabiam como equilibrar tudo, jogando tanto em locadoras como nos flipers. Com a chegada do Playstation 1, Playstation 2, Sega Saturn, Dreamcast, Nintendo 64, praticamente ninguém (pelo menos aqui em Brasília) se interessava mais em jogar Super Nintendo, Mega Drive, Nintendo 8 bits, Master System e Atari 2600. Os jogos com gráficos incríveis e com novas propostas eram o novo sucesso daquele momento e até os consoles que fizeram tanto sucesso aos poucos foram deixados de lado.
3. Pinballs e sua queda
Pinballs eram tão populares e viciantes como os jogos de vídeo. Havia uma quantidade enorme de máquinas assim em shoppings, bares e lojas. A qualidade das máquinas era ótima e era difícil não ter assistência técnica que fosse de qualidade e garantisse o sucesso das jogatinas entre os jogadores. Quando eu era muito criança tive uma febre absurda por pinballs.
 |
Uma incrível variedade de pinballs na década de 1980. Era fantástico. |
Com o passar do tempo, o interesse do pessoal foi diminuindo e para os donos dos estabelecimentos ter máquinas de pinball era sinônimo de prejuízo e ocupação desnecessária de espaço físico. Dessa maneira, muitas foram vendidas, ou viraram sucata. Lembro-me quando o Roberto, dono do fliperama do N. Bandeirante (cidade vizinha onde eu jogava), desmontou a minha tão amada Cowboy Eight Ball (uma das minhas primeiras referências ao meu ingresso no mundo dos jogos). Foi pro ferro velho.
Até hoje eu jogo, até mesmo as máquinas mais modernas e também no Visual Pinball e Future Pinball. É a única maneira de manter viva na memória a lembrança de tempos tão mágicos.
4. Lan houses
Depois de tudo isso, surgiram as lan houses, onde pessoas que não eram jogadoras usavam internet e gamemaníacos jogavam em rede. Já não era comum encontrar máquinas de pinball e arcades em qualquer esquina de bar, em lojas que só tinham isso e em shoppings, que diminuíram drasticamente o número de unidades. Quem vivia de passado se lascou bonito e quem era da geração 2000 nem sentia falta porque já cresceram sem saber o que era fliperama por jogarem videogame em casa. Counter Strike e inúmeros jogos em rede viraram sensação. Isso chamou ainda mais a atenção dos jogadores e de novos simpatizantes.
Quem era da época do fliperama já estava em outra: casaram, perderam o interesse, esqueceram, etc. Lamentável, mas é preciso respeitar a opinião e as novas responsabilidades das pessoas. As locadoras foram sendo esquecidas aos poucos e logo as lan houses as substituíram. Mesmo assim, lojas muito boas com videogames atuais tais como Xbox 360 e Playstation 3 conseguem fazer sucesso. O engraçado é que um amigo meu abriu um novo negócio com esses videogames (2 PS3 e 2 Xbox 360), 12 computadores e 5 máquinas de fliperama (The King of Fighters 2002, X-Men Vs. Street Fighter, SNK vs. Capcom e duas multijogos). Está vingando e estou feliz por ele. Ele conseguiu juntar o antigo e o novo, embora o pessoal de hoje prefira os videogames e os computadores.
5. O golpe final
A internet. Na minha opinião, a internet e os novos videogames mataram de vez o fliperama. Os meus pontos de defesa sobre isso são:
a) Emuladores e roms baixados: Muita gente baixa roms e emuladores diariamente. O Roberto me disse que a razão que levou o fliperama dele a fechar as portas foram as máquinas multijogos. Os clientes pagavam mais barato e jogavam os jogos antigos em uma única máquina, ou seja, não na loja dele porque o Roberto nunca teve interesse em máquinas assim. Quando não queriam pagar para jogar em algum fliperama, simplesmente jogavam em casa mesmo. Os controles de arcade foram fabricados para pcs e logo muitos preferiram jogar no conforto do lar.
b) Videogames novos, pc popularizado e jogos online: Playstation 3, Xbox 360 e outros tantos possibilitam jogar online com amigos. Embora esses videogames sejam caros, um número considerável de jogadores tem ao menos um desses consoles em casa. Os jogos são muito bonitos, com altíssima qualidade e a diversão é garantida para quem gosta de jogatinas por meio da internet. Dois golpes de uma vez: acabaram com a raça das lan houses e com os fliperamas. Muitos jogadores quando não se aposentam, se atualizam e andam junto com o seu tempo, consequentemente, jogando os novos games. Acrescentando, ter um computador em casa hoje em dia é algo mais acessível para muita gente e os jogos para pc são muito bons também. É possível jogar em rede, online, offline e não há razão para se recorrer às lan houses. As lan, atualmente, só servem para atender quem não tem computadores, videogames e que estão de passagem em algum lugar e precisam usar por algumas poucas horas ou minutos o serviço de internet para acessar e-mails, redes sociais e etc.
6. Um possível recomeço?
A nova onda do momento é o RETRÔ. Filmes antigos que viraram remakes, novas versões de músicas antigas, novelas de sucesso do passado em novos formatos e claro, reboots e remakes de jogos antigos. A vontade de conhecer a origem de tudo. Como era? Como foi? Novos jogadores têm muito interesse em arcades, alguns têm interesse por pinball e também por videogames antigos. Uma das provas é que há jogos antigos em diversas coleções para novos consoles com o intuito de resgatar antigos jogadores e para atrair os novos.
 |
O último fliperama de Brasília: Replay |
O fliperama Replay-DF procura se atualizar com os jogos novos (Tekken 6, Super Street Fighter IV AE, Marvel vs. Capcom 3) e manter o que há de raro como jogos antigos e pinballs. Aos poucos, o número de admiradores por fliperamas vai aumentando e como eu já disse
aqui os flipers estão voltando. Só o tempo dirá se será uma nova era para o mundo dos jogos ou apenas um modismo passageiro.